quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Estreia do blog

Olá, caro leitor, este é o texto incial do meu blog. Hoje não vou publicar material inédito, tanto das dicas de português quanto de opinião, apenas vou convidá-lo a inserir o Papo Entre Nós no rol de seus sites preferidos. A intenção é ajudar a esclarecer algumas dúvidas sobre nosso idioma e dividir com você minha visão sobre temas relevantes. 

Espero que você goste do conteúdo e interaja comigo por meio de sugestões, críticas ou/e questionamentos. Enfim, fique à vontade. Abaixo eu publico meus textos veiculados até hoje no Megafone, o portal de cidadania de Foz do Iguaçu. Se ainda não os leu, talvez algum seja do seu interesse. Boa leitura!

Domingo é dia de eleger Dilma Rousseff

O dia 31 de outubro vai entrar para a história brasileira como a data em que o país elegerá, pela primeira vez, uma mulher para a Presidência da República: Dilma Rousseff. A candidata petista representa a continuidade de uma política social e econômica aprovada pela população nos últimos oito anos. A maior prova disso são os 80% de aprovação do presidente Lula, às vésperas do fim de seu mandato.

Os eleitores confiam no histórico de Dilma e sabem que sua administração seguirá o modelo do atual governo, garantindo, acima de tudo, a inclusão social para os mais pobres, a melhoria de vida à classe média, bem como, por consequência, bons frutos também à elite, representada por grandes empresários. Afinal o desenvolvimento nacional faz todos ganharem, não exclui ninguém. 

Mas, além de garantir o prosseguimento das ações que obtiveram sucesso, a candidata tem a missão de corrigir o que não saiu como planejado. O Brasil melhorou com o presidente Lula, isso é inegável — pelo menos para quem quer ver —, entretanto há muito a se fazer. E com Dilma o país irá explorar os recursos do pré-sal, com a certeza de que os lucros serão aplicados na melhoria das condições de vida dos brasileiros — por meio de investimentos em vários setores, não caindo na mão de empresas privadas.

A presidente continuará os programas sociais, tirando outros milhões de pessoas da pobreza, propiciando, assim, o consumo de mais produtos por mais consumidores. Com a desoneração tributária, a exemplo do IPI, bens duráveis também serão adquiridos. Essas medidas já tiveram resultados positivos no atual governo, fomentando a produção industrial e o comércio.

O salário também terá mais poder de compra, com o barateamento de mercadorias, e o trabalhador poderá ter mais tranquilidade para pagar as contas. Até alguns “luxos”, como viajar de avião ou trocar de carro, continuarão acessíveis para mais brasileiros. 

Com a nova presidente e sua política, o país manterá a credibilidade internacional, atrairá investidores e mais turistas estrangeiros. O comércio com outras nações continuará em alta, fortalecendo a cada dia a balança comercial. Ah, e o Brasil ainda será credor do Fundo Monetário Internacional (FMI) — condição contrária da que ocupou em governos anteriores, especialmente no tucano. 

Ao eleger Dilma no domingo, os eleitores começarão 2011 certos sobre o crescimento do país, sem o temor de vê-lo retroagir nas mãos da corrente neoliberal — a mesma que depredou o patrimônio nacional, não gerou empregos, afugentou investidores internacionais, deixou de lado os mais pobres, priorizou interesses dos ricos.

Por isso vá votar confiante, orgulhoso, pois o Brasil aprendeu a reconhecer quem mente, representa apenas a elite, não respeita planos de governo e compromissos de campanha; aprendeu a dizer não aos tucanos e “demos”!

(Texto publicado no site Megafone em 29 de outubro de 2010)

Perda ou perca?

É comum o emprego errado dessas duas palavras, especialmente a troca do substantivo pela forma verbal de perder. Perda significa privação, extravio, sumiço, dano, prejuízo... Perca é uma derivação do verbo perder, com influência de suas formas verbais com o radical “perc”.

Vamos aos exemplos, para melhor compreensão:

• Com a perda dos ingressos, o casal não pôde assistir ao concerto.

Note que perda é sinônimo de sumiço, extravio; portanto, um substantivo.

• Meu vizinho ainda não superou a perda dos pais.

Aqui, perda também é um substantivo, com a ideia de morte, privação.

Então, em ambos os casos, nunca use “perca”.

• O patrão não admite que se perca (gaste) tempo com conversas improdutivas.

Eis um caso de derivação do verbo perder no presente do subjuntivo (que eu perca; que tu percas; que ele perca...).

• Não perca oportunidades na vida, pois elas podem não voltar.

Nesse sentido perca também provém do verbo perder e significa deixar passar, abrir mão...

Enfim, é fácil perceber que nos dois últimos casos não cabe o substantivo perda. Já nos casos em que ele couber, não o confunda com perca.

É isso. Até mais.

(Texto publicado no site Megafone em 26 de outubro de 2010)

Não erre o gênero de ‘dó’ e ‘somatório’

Caro leitor, alguma vez você já deve ter ouvido uma pessoa dizer que teve “uma dó”, assim como pode ter escutado, ou lido, a palavra “somatória”. Se ficou em dúvida quanto ao gênero desses termos, saiba que ambos são masculinos — o dó e o somatório.
 
Mas o que leva alguém a usá-los erroneamente? Possivelmente a confusão devido a um sinônimo feminino de dó — pena — e a uma falsa derivação de soma. Ao dizer que teve “uma dó”, “muita dó”, “tanta dó”, a pessoa pode ter imaginado, inconscientemente, “pena”. Veja:

• Tive “tanta” dó (pena) quando vi os meninos de rua.

A frase estaria correta se tivesse sido grafada:

• Tive tanto dó quando vi os meninos de rua.

Ou:

• Tive tanta pena quando vi os meninos de rua.

O mesmo ocorre com somatório:

• A promoção de Alfredo se deu por um somatório de fatores.

Ou:

• A promoção de Alfredo se deu por uma soma de fatores.

Nunca:

• A promoção de Alfredo se deu por “uma somatória” de fatores.

Perceba que cada substantivo, mesmo os sinônimos, tem seu gênero.

É isso. Até a próxima.

(Texto publicado no site Megafone em 9 de outubro de 2010)

A difícil tarefa de votar para governador do Paraná

Será que os dois principais candidatos realmente priorizariam os interesses dos trabalhadores?

Faltam apenas seis dias para as eleições, e as campanhas estão na reta final. Como sempre, a troca de acusações e de grosserias marca os programas eleitorais e os debates. Os candidatos tentam desqualificar seus adversários e apontam as falhas alheias durante os mandatos de rivais, seja no Executivo ou Legislativo.

Aqui no Paraná a corrida eleitoral está equilibrada entre as duas maiores coligações. Quem vencerá é uma incógnita, mas uma coisa é praticamente certa: tanto o tucano quanto o pedetista não estarão verdadeiramente comprometidos com o trabalhador paranaense.
Por mais que prometam governar para a população mais necessitada e para a classe média, alguns fatores apontam uma realidade diferente. Eis os dois principais:

O entreguismo — Como se sabe, os tucanos comandaram o governo federal por oito anos, e o resultado foi extremamente prejudicial ao país; tanto que o ex-presidente não conseguiu eleger seu sucessor e foi deixado de lado na atual campanha.
Uma vez no Governo do Estado — e de acordo com a ideologia do partido e dos demais da coligação —, o tucanato implantará sua política de privatização, de entreguismo do patrimônio público, de atendimento prioritário ao interesse da elite paranaense. E o pior: de volta ao poder, promoverá o retorno das mesmas pessoas que compuseram o governo de Jaime Lerner, ex-PFL — atual DEM!

Para quem não lembra, é bom ressaltar que durante a gestão dele foi implantado o pedágio no Paraná. Não bastasse isso, no final da administração de Lerner os contratos foram revistos, desobrigando as concessionárias a investir nas estradas. Obras de verdade — como duplicações, viadutos, trincheiras, enfim, estruturas para dar segurança aos motoristas — foram retiradas do rol de obrigações das empresas.

Não obstante, outras aberrações administrativas fizeram parte daquele governo. Por exemplo: a venda do Banestado, extremamente prejudicial ao estado; a entrega de comando da Sanepar a um grupo francês, detentor da minoria das ações; a tentativa de privatização da Copel, por meio de indecentes trocas de favores com alguns deputados.

E ainda há o fato de o atual candidato a vice-governador ter mostrado ao país total falta de ideologia política, pois foi eleito senador pelo PT e depois mudou para o PSDB — atitude imensamente incoerente do ponto de vista político-partidário e uma afronta a seus eleitores.

Por esses e por outros motivos, eleger tucanos e coligados para administrar o Paraná provocará um retrocesso no desenvolvimento econômico-social e uma possível dilapidação do patrimônio e interesse públicos.

O patronato — Por outro lado, eleger o candidato senador para o Executivo estadual é um risco para quem preza pelos direitos do trabalhador. Ele mesmo confessou em um debate ter apresentado dois projetos para acabar com a multa de 40% no caso de demissão sem justa causa.

Seu argumento para justificar a retirada da proposta — após repercussão negativa — foi que, em conversa com centrais sindicais, percebeu a possibilidade de prejuízo aos trabalhadores. Mas será que o experiente parlamentar não imaginou as possíveis consequências de seus projetos, precisando ser alertado pelos sindicatos? Essa justificativa não pegou nada bem, tamanha sua fraqueza.

Outro detalhe, o atual pedetista também revela que a política continua suja no Brasil. Afinal quem não se lembra dos ataques e bate-bocas com o ex-governador Roberto Requião na campanha passada? Há cerca de quatro anos os dois se digladiavam pelo voto do povo paranaense, posição de confronto mantida até este ano. De repente as ideias divergentes e as ofensas parecem não ter existido, e agora estão abraçados pedindo voto um para o outro. Pura hipocrisia!

Diante de tudo isso, votar para governador do Paraná será uma tarefa difícil. Talvez o melhor seja optar por algum dos demais candidatos, aqueles que passam quase despercebidos no horário eleitoral, contam com poucos recursos para campanha, e às vezes sofrem preconceito ou são estereotipados por serem desconhecidos da maioria dos eleitores. Não seria o caso de se fazer uma reflexão e buscar mais conhecimento de suas propostas?

Ainda há tempo, basta acessar seus portais na internet — espaço verdadeiramente democrático na mídia — e analisar se os planos de governo não são melhores que os propostos pelas figurinhas carimbadas da política paranaense.

(Texto publicado no site Megafone em 27 de setembro de 2010)

Verbo haver indicando tempo decorrido

É comum as pessoas se enganarem quando grafam o verbo haver representando noção de tempo. Em algumas situações podem surgir dúvidas se ele deve ser empregado ou pode ser substituído pela preposição “a”. Analise estas duas frases:

Os irmãos não se veem a cinco anos.

Os irmãos não se veem há cinco anos.

Qual delas está correta e por quê?

A resposta é simples: a segunda, na qual foi empregado o verbo haver, indicando tempo decorrido. Ou seja, para expressar algo que já ocorreu, ele é utilizado. Se pairar alguma dúvida, basta substituir o “haver” pelo “fazer”. Veja:

Os irmãos não se veem faz cinco anos.

Esse exemplo aponta um período transcorrido de anos (tempo), deixando clara a necessidade de aplicação do verbo haver.

• Já quando a frase apontar que algo ainda vai ocorrer, usa-se a preposição “a”. Observe os exemplos:

Mãe e filho se encontrarão daqui a um ano.

O filme está a cinco minutos da estreia.

• Outro caso em que a preposição “a” é utilizada se dá para indicar distância. Acompanhe:

A cidade mais próxima está localizada a 25 quilômetros.

O supermercado fica a 300 metros da minha casa.

Por ser míope, João aproxima o livro a centímetros dos olhos.

Portanto nunca use o verbo haver nesse sentido, isto é, para exprimir distância.

É isso, até a próxima.

(Texto publicado no site Megafone em 23 de setembro de 2010)

Um exemplo de mudança da realidade brasileira

Ascensão social é notória, para o desgosto de uma elite egoísta e preconceituosa

Nos últimos anos a condição de vida da população brasileira melhorou, e isso é nítido diante do crescimento do poder aquisitivo e da compra de bens por mais pessoas das classes menos favorecidas. A política de inclusão social, com melhor distribuição de renda e isenção de impostos, por exemplo, teve como consequência uma maior comercialização de computadores, eletrodomésticos, veículos e imóveis, mudando a realidade em todo o país.

Isso foi comprovado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada pelo IBGE e divulgada na última sexta-feira, e entre suas revelações está um dado socioeconômico digno de respeito: nos últimos cinco anos, o total de trabalhadores domésticos com carteira assinada subiu 20%, e ano passado eles eram 7,2 milhões — 12% a mais que em 2008.

Para ilustrar esse dado, o portal de notícias G1 publicou uma matéria muito interessante no dia 19, intitulada “Nova doméstica tem carro zero e faz faculdade”. Os repórteres Carolina Lauriano, Mariana Oliveira e Pedro Triginelli mostraram a realidade de algumas domésticas no Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte. As profissionais entrevistadas têm bons salários, veículos financiados e cursam faculdades. A presidente do Sindicato das Empregadas e Trabalhadores Domésticos da Grande São Paulo também foi entrevistada e confirmou a mudança no perfil da categoria.

O novo cenário é uma conquista para aquela classe trabalhadora — essencial em milhares de lares brasileiros e injustamente, ainda em muitos locais, sem o reconhecimento merecido. Esse crescimento de nível social, viabilizado na gestão do governo Lula, é sinal de que a atual política vem trazendo resultados positivos em todos os estratos da sociedade.

Enquanto tal conquista é bem-vista pela maioria do povo, segmentos mais elitizados — especialmente os paulistas, que defendem e sustentam seus representantes na vida pública — manifestam-se preconceituosamente, de forma egoísta e míope, tentando evitar a continuidade de um governo trabalhista.

E pior que constatar uma tentativa de golpe pela classe A, utilizando veículos de comunicação como tevês, jornais e revistas de circulação nacional, é ver pessoas preconceituosas de outras classes sociais não admitirem o bom governo de um operário e sindicalista, por antipatia à sua figura.

É óbvio que a gestão está longe da perfeição, apresenta equívocos, medidas incoerentes com sua ideologia, entretanto a atual linha deve ser mantida, corrigindo os desacertos e dando prosseguimento às estratégias de desenvolvimento ao país. O que não pode ocorrer é o retorno ao poder — seja nos estados quanto na esfera federal — dos representantes da elite, cujas políticas fariam o Brasil retroagir. Afinal aqueles que não governam para o povo cortam projetos sociais, privatizam empresas públicas, implantam pedágios, e tomam atitudes confrontantes com o interesse coletivo.

Para ler a matéria do G1 sobre a evolução social das domésticas acesse:

(Texto publicado no site Megafone em 20 de setembro de 2010)

Entenda a mudança nas palavras compostas ligadas por conectivos

Com a reforma ortográfica, somente termos da botânica e zoologia mantêm o hífen

Em janeiro de 2009 começaram a valer as mudanças previstas no Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, com a finalidade de padronizar o idioma português nos oito países que o utilizam. Mesmo já tendo abordado este tema na coluna de 1º de dezembro de 2008 (Acordo Ortográfico passa a valer em um mês), retomo o assunto para tratar especificamente sobre o uso do hífen em palavras anteriormente escritas tanto com esse sinal gráfico quanto sem ele.

Antes da alteração, alguns substantivos compostos podiam ser grafados com hífen e sem ele, dependendo do seu significado. Eis alguns exemplos: dia-a-dia (rotina, cotidiano) e dia a dia (dia após dia), pé-de-moleque (doce) e pé de moleque (parte do corpo de um jovem), corpo-a-corpo (briga) e corpo a corpo (a forma da luta), passo-a-passo (o processo em si) e passo a passo (forma do processo), cavalo-de-pau (manobra) e cavalo de pau (objeto em madeira).

Outros termos eram hifenizados, mesmo que possuíssem somente um significado, como: cara-de-pau, cabo-de-guerra, capitão-de-corveta, conto-do-vigário, deus-nos-acuda, diz-que-diz, disse-que-disse, faz-de-conta, feijão-com-arroz, ir-e-vir, leva-e-traz, lua-de-mel, maria-vai-com-as-outras, mestre-de-cerimônias, mestre-de-obras, mão-de-obra, olho-de-sogra, olho-da-rua, pão-de-ló, pai-de-santo, pau-de-sebo, pau-de-arara, pé-de-vento, pé-de-valsa, ponto-de-venda, preto-e-branco, rabo-de-cavalo, rabo-de-saia, salve-se-quem-puder, testa-de-ferro, vira-e-mexe, entre outros.

Entretanto, após a reforma ortográfica, todas essas palavras e outras inclusas na mesma regra não são mais escritas com hífen. Para simplificar e diminuir as dúvidas, optou-se por restringir o sinal aos termos compostos e ligados por conectivos referentes apenas à botânica e à zoologia. Assim, tão-somente nomes de plantas e de animais, ou outros substantivos daquelas áreas da biologia, mantêm-se hifenizados. Veja alguns exemplos: banana-da-terra, bem-te-vi, boca-de-leão, castanha-do-pará, cedro-do-líbano, copo-de-leite, canário-do-reino, erva-de-passarinho, espada-de-são-jorge, joão-de-barro, maria-sem-vergonha, pimenta-do-reino, tigre-de-bengala, urubu-rei.

Atenção, observe que o hífen sofreu mudança em sua utilização só nos termos unidos por elementos conectivos, a exemplo dos empregados acima: a, com, da, de, do, e, quem, sem, entre outros. Nos demais substantivos compostos, o sinal deve ser mantido — inclusive nos de procedência. Acompanhe alguns casos: algodão-doce, bem-apessoado, caminhão-pipa, desmancha-prazer, editor-chefe, fórmula-grama, guarda-roupa, hotel-fazenda, lesa-pátria, mato-grossense-do-sul, navio-petroleiro, ordem-unida, papel-alumínio, quartel-general, recém-nascido, saia-justa, terceiro-mundista, verde-musgo, zero-quilômetro.

É isso. Até a próxima.

(Texto publicado no site Megafone em 16 de setembro de 2010)

Eleitor quer campanha sem baixaria

Ataques de Serra não surtem efeito, e ele continua em queda nas pesquisas

A cerca de 20 dias das eleições, e com menos da metade das intenções de voto que Dilma Rousseff, o candidato tucano à Presidência da República, José Serra, resolveu partir para ataques pessoais à sua adversária. E para isso utiliza seu vice, o inexpressivo Índio da Costa (DEM), sua esposa, Mônica Serra, e correligionários.

Ao passo que 3 de outubro se aproxima, aumentam as acusações e as declarações contra a petista. A coligação do peessedebista usa suas manobras para tentar reverter a situação desfavorável apontada em todas as pesquisas. Tal demonstração de desespero é veiculada diariamente pela mídia, principalmente pelos veículos de comunicação que atendem aos interesses da elite brasileira, acolhida confortavelmente no ninho tucano e de seus aliados.

Nem o mais recente fato explorado politicamente e estrategicamente pela mídia — a quebra do sigilo fiscal de Verônica Serra, filha do candidato — provocou o efeito esperado. Pesquisa divulgada na última segunda-feira (Tracking Vox/IG/Band) mostra Dilma com 54% das intenções de voto, contra 22% do tucano.

A estratégia de atacar a adversária e seu partido já foi utilizada anteriormente, quando o vice Índio da Costa acusou o Partido dos Trabalhadores de estar ligado ao narcotráfico e às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. O resultado: em todas as pesquisas a petista apareceu na frente — sempre apresentando crescimento, enquanto Serra vem em acentuado declínio.

Conscientização popular

O atual cenário político-eleitoral é consequência, dentre outros fatores, de um amadurecimento do eleitor. Cada vez mais o brasileiro quer campanhas limpas, éticas, pautadas em propostas factíveis. A tática ofensiva, caluniadora, difamatória não encontra receptividade na população. Por isso o desespero e as artimanhas da coligação PSDB/DEM/PPS/PTB se chocam com o interesse e a consciência popular.

A pretensão tucana de retornar à Presidência é sinal de — acima de qualquer outro interesse — inconformismo com o desempenho de Lula no governo, um operário que derrotou os representantes políticos da elite (especialmente a paulista) duas vezes, está prestes a deixar o mandato com 80% de aprovação e, ainda, passar a faixa à candidata apoiada por ele.
 
O Brasil realmente mudou. Depois de oito anos bem governado por um torneiro mecânico e sindicalista, o país entregará seu leme para uma mulher. Esses são dois fatos historicamente importantes à nação brasileira. E mais, são vitórias dos trabalhadores e das mulheres. Parabéns, Brasil! 

(Texto publicado no site Megafone em 15 de setembro de 2010)

Um milhão de brasileiros saíram da pobreza em um ano

Só mesmo num governo trabalhista isso seria possível, ou alguém viu algo parecido durante os oito anos do mandato tucano na Presidência da República? Certamente não, afinal a dobradinha PSDB/DEM priorizou — e sempre priorizará — a elite brasileira, com sua política neoliberal.
 
Amanhã, dia 10, será publicado um estudo coordenado pelo chefe do Centro de Estudos Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcelo Neri. Segundo o pesquisador, entre 2008 e 2009 aproximadamente um milhão de pessoas deixaram a condição de pobres — o que representa uma redução de 4,3% no índice nacional.

O cálculo foi feito por Neri a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), para embasar um estudo a respeito das classes sociais brasileiras. A metodologia considerou a soma das fontes de renda dos moradores das casas dividida pelo total de membros da família. O sistema classificou como pobre quem recebe menos de R$ 140 por mês.

Uma das constatações do estudo é que a pobreza caiu de 16,02% em 2008 para 15,32% em 2009. A queda já foi maior em outros períodos, porém superou a expectativa do pesquisador, diante da crise mundial naquela época. Entre 2003 e 2008, cerca de 20 milhões de brasileiros deixaram de ser pobres. O período mais significativo de redução foi de 2007 a 2008, quando a pobreza diminuiu aproximadamente 12%.

Fatores de propulsão

A receita para se obter um novo estrato social no país foi, relativamente, simples: aliar políticas de desenvolvimento a estratégias de combate à desigualdade. No ano passado, o governo federal conseguiu modificar uma das principais características brasileiras, a concentração de renda — os 40% mais pobres tiveram incremento de 3,15% na renda; já os 10% mais ricos agregaram 1,09%.

Apesar dessa melhoria, o abismo social ainda precisa ser aterrado. Não será em pouco tempo que o cenário mudará, entretanto isso terá êxito com o prosseguimento de governos trabalhistas ou socialistas, cuja ideologia coloca a igualdade entre os cidadãos acima de interesses oligárquicos.

Agora, às vésperas de mais uma eleição, o povo precisa estar atento à sua responsabilidade. Manter uma administração favorável às reivindicações coletivas e desbancar aquelas individualistas, entreguistas, oligárquicas depende exclusivamente do voto certo, bem pensado, confiado aos candidatos — seja a qual for o cargo — de passado ilibado na vida pessoal e pública, comprometidos com os eleitores, dispostos a cumprir todo o mandato, sem abandoná-lo por mais poder em futuros pleitos.

(Texto publicado no site Megafone em 10 de setembro de 2010)

A diferença das preposições “dentre” e “entre”

Apesar de parecidas, elas devem ser usadas em situações distintas

O leitor já deve ter encontrado em textos ou ouvido na TV ou rádio as preposições “dentre” e “entre”. Embora elas sejam parecidas na grafia, será que podem ser empregadas nas mesmas situações?  

Na realidade não. “Dentre” é uma aglutinação (de + entre) e significa “do meio de”. Seu emprego se faz necessário quando há verbos regidos pela preposição “de”. Veja o exemplo a seguir:

• A corrida não tem favoritos à vitória, mas o vencedor sairá, certamente, dentre os atletas do grupo de elite.

Observe que o verbo sair é regido (pede) pela preposição “de”, afinal quem ou o que sai sai de algum lugar. Assim o correto é empregar o termo “dentre”. A frase poderia ser:

• A corrida não tem favoritos à vitória, mas o vencedor sairá, certamente, do meio dos atletas do grupo de elite.

Outro exemplo:

• Dentre a multidão surgiu aquela bela mulher.

O verbo “surgir” também pede a preposição “de”, pois quem surge surge de algum local. A preposição poderia ter sido substituída por “do meio da” (Do meio da multidão surgiu aquela bela mulher).

Já “entre” equivale a um lugar ou espaço intermediário, a um intervalo de tempo, a algo recíproco, a várias coisas ou pessoas — desde que não haja a necessidade da preposição “de”.

Eis alguns casos:

• Entre todos os funcionários do departamento está Rui, há anos o mais pontual.
Atente para que — mesmo “entre” podendo ser trocado por “do meio de” — o verbo estar não é regido pela preposição “de”, afinal quem ou o que está está em.

• A distância entre Foz do Iguaçu e Cascavel é de aproximadamente 150 quilômetros.

Aqui há uma relação espacial, e o verbo “ser” também não pede a preposição “de”.

• O melhor horário para começar a reunião talvez seja entre as 8h e as 10h (período temporal).

• As seguidas discussões demonstram a falta de afinidade entre mim e você.
É isso. Espero ter deixado clara a diferença do emprego e significado de tais termos. Até a próxima. 

(Texto publicado no site Megafone em 3 de setembro de 2010)

Não existe madrugada de um dia para outro

O leitor já deve ter ouvido alguém dizer que um evento, como uma transmissão esportiva, será realizado “na madrugada de sábado para domingo”. Essa prática se dá para evitar confusão devido ao fuso horário existente entre o país-sede e, no nosso caso, o Brasil. Mas, na realidade, tal expressão está equivocada. E você sabe por quê?

A resposta é simples, a madrugada é do dia que se inicia. Um dia tem 24 horas, divididas em quatro períodos de seis horas. Veja:

0h até 6h: madrugada;
6h01 até 12h: manhã;
12h01 até 18h: tarde;
18h01 até 23h59: noite.

Então, quando uma transmissão for realizada nas primeiras seis horas do dia, ela ocorrerá na madrugada. Eis alguns exemplos:

• Os jogos do Mundial de Vôlei no Japão serão realizados na madrugada de domingo.
• A transmissão do evento terá início na madrugada de quarta-feira, às 3h.

Ou simplesmente:

• A transmissão do evento terá início às 3h de quarta-feira.

É isso. No próximo texto, a diferença e quando empregar “entre” e “dentre”. Até breve.

(Texto publicado no site Megafone em 27 de agosto de 2010)

Aprenda quando usar “mais bem” e “melhor”

Caro leitor, analise a frase a seguir e responda qual a forma correta:
O técnico Alceu está melhor cotado ou mais bem cotado para assumir o time da cidade. Ou ainda: A candidata do governo aparece melhor colocada ou mais bem colocada nas pesquisas.

Se ainda está em dúvida, ou se apostou em algumas das opções, eu respondo: em ambos os casos, a expressão “mais bem” é ideal para complementar as frases acima. E o motivo é muito simples: ela antecede um verbo no particípio. No primeiro exemplo, “mais bem cotado”; e no segundo, “mais bem colocada”. Sempre que a expressão vier antes do particípio de qualquer verbo, deve ser empregada.

Veja mais exemplos:

• O trabalho das meninas foi mais bem avaliado que o dos meninos.
• Produtos agrícolas brasileiros são os mais bem valorizados da América do Sul.
• Tânia aprendeu balé na escola mais bem estruturada de Foz.

Já o adjetivo “melhor” deve ser utilizado nos demais casos.

Observe:

• Jean se saiu melhor entre todos no teste de baliza.
• A aeromoça fala inglês melhor que seu colega de trabalho.

Atenção:

A mesma regra vale para “menos bem” e “pior”. Por isso, toda vez que “menos bem” anteceder um verbo no particípio, estará correta. Quando não, a forma será “pior”.
• A carne de hoje está menos bem assada que a de ontem.
• Larissa se deu pior na redação.
É isso. Até a próxima!

(Texto publicado no site Megafone em 17 de agosto de 2010)

Use adequadamente os artigos definidos

Diariamente os meios de comunicação noticiam casos de acidente de trânsito, disparo de arma de fogo, atropelamento e outros que resultam em vítimas. É muito comum a imprensa utilizar a seguinte construção: “A vítima foi levada para o hospital”. Aparentemente a frase está correta, não? Mas quando isso ocorre, eu sempre pergunto: para qual hospital?
Como o próprio nome diz, os artigos definidos (o, a, os, as) deveriam ser utilizados para definir, especificar, um substantivo, portanto a sentença estaria plenamente correta se anteriormente já tivesse sido mencionada para qual unidade hospitalar o ferido foi encaminhado. Do contrário a informação fica incompleta.

Se por algum motivo, como a segurança da pessoa, por exemplo, não for conveniente revelar o nome do estabelecimento, o ideal é empregar um artigo indefinido. Veja: “A vítima foi levada para um hospital”. Essa construção não elimina uma possível curiosidade em relação ao local para onde a pessoa foi encaminhada, porém não deixa totalmente em aberto a informação.

Eis mais alguns exemplos:
• Após a batida, os veículos foram conduzidos para a oficina. (Qual?)
• Os bandidos foram encaminhados para a delegacia.
Caso haja apenas uma delegacia na cidade, daí sim não há a necessidade de complemento.
Não ficaria melhor?:
• Após a batida, os veículos foram conduzidos para uma oficina.
• Os bandidos foram encaminhados para uma delegacia.
Ou:
• Os bandidos foram encaminhados para a 10ª Delegacia de Polícia.

É isso, até a próxima.

(Texto publicado no site Megafone em 2 de agosto de 2010)

Vinte anos sem o poeta do rock

Cazuza, um dos melhores compositores brasileiros, partiu há duas décadas, mas ainda permanece vivo em suas músicas 

Dia 7 de julho de 1990, há exatos 20 anos, encerrava sua passagem pelo mundo físico um dos melhores compositores do rock nacional. Cazuza, batizado Agenor de Miranda Araújo Neto, perdia a luta contra a AIDS no Rio de Janeiro, para a tristeza de milhares de fãs.
Lembro-me de quando recebi a notícia, por meio de uma amiga de minha irmã. Na época com 16 anos, sofri um baque, talvez o mesmo de pessoas pelo Brasil todo. Parece que foi ontem, tamanho o impacto de ter visto chegar ao fim a vida do grande roqueiro-poeta da música brasileira.
Aos 32 anos se apagava a luz terrena de Cazuza, um artista bastante controverso, cuja genialidade de suas composições era afetada pelo seu comportamento exagerado e sem pudor. Muitos não entendiam a personalidade dele e o condenavam por suas atitudes mais escrachadas.
Na realidade ele era verdadeiro, traduzia seus sentimentos em belas músicas, atos e palavras incontidas de protesto diante da situação política, econômica e social do país naquela época. Seus vícios e comportamento sexual eram públicos, contudo nada diferentes dos de milhares de pessoas “anônimas”, por isso recebia críticas de conservadores, para os quais Cazuza não poderia ser exemplo de artista.
Peculiaridades comportamentais à parte, o grande destaque de sua vida é uma obra musical extemporânea. Seja como vocalista do Barão Vermelho, rasgando letras fortes no mais puro rock-and-roll, ou na carreira solo, cantando o amor ou atacando a burguesia, o poeta marca a sociedade e agrada aos fãs com um repertório singular, inigualável.
De 1982 a 1985 ele dá voz a uma das principais bandas de rock do Brasil, com músicas como Pro dia nascer feliz, Bete Balanço, Maior abandonado, entre tantas em parceria com Roberto Frejat e outros “barões”. Mas com sua saída da banda, ainda em 85, é possível conhecer o outro lado do artista contestador, polêmico.
Em seus seis discos solo, Cazuza faz parceria com vários artistas da música brasileira, roqueiros e ícones da MPB, mostrando uma faceta eclética, herança da convivência com músicos que frequentavam sua casa desde a infância — seu pai, João Araújo, era diretor da gravadora Som Livre.
Até o último disco — póstumo, Por aí — lançado em 1991, ele escreve e grava canções como Exagerado, Vai à luta, Ideologia, O tempo não para, Faz parte do meu show, e muitas outras ainda vivas e atuais ao longo destes 20 anos.
Paralelamente à carreira solo, Cazuza luta contra o vírus HIV, causador de uma nova doença, a AIDS. De 1987 até 1990, ele viaja muitas vezes para Boston, nos Estados Unidos, para se tratar — só em 1988 foram oito viagens. Mesmo sentindo os efeitos da doença, o poeta não deixa de trabalhar e intensifica sua produção.
O ponto final de sua intensa vida e da brilhante carreira se dá na manhã do dia 7 de julho de 1990, na casa dos pais João e Lucinha Araújo. Sua morte comove a nação, mas desperta em Lucinha e amigos a vontade de continuar a luta. Ainda naquele ano, ela funda a Sociedade Viva Cazuza com a intenção de assistir crianças e adolescentes portadores de HIV e de prestar assistência a adultos em tratamento na rede pública de saúde do Rio de Janeiro.
Para saber mais sobre a vida de Cazuza, acesse www.cazuza.com.br. O site da Sociedade Viva Cazuza é www.vivacazuza.org.br.

(Texto publicado no site Megafone em 7 de julho de 2010)

Qual é o uso correto de “onde” e “aonde”?

Os advérbios “onde” e “aonde” podem causar dúvidas no momento de ser aplicados , seja na forma escrita ou oral. Por isso, hoje, vou explicar a diferença entre eles. Diante das frases a seguir, você saberia qual a forma correta?

1) Onde ou aonde ir?
2) A empresa onde ou aonde Larissa trabalha?

Na primeira frase, deve ser utilizado o advérbio “aonde”. Isso porque ele indica movimento, destino, e quando que essa ideia estiver presente seu uso é o correto. “Aonde” é a união da preposição “a” com “onde” e sinônimo de “a que lugar”. Sempre acompanha verbos regidos por tal preposição, como: chegar, ir, retornar... Veja mais exemplos:

• Aonde (a que lugar) vocês vão (ir a algum lugar) com tanta pressa?
• Olavo estuda muito porque sabe aonde quer chegar (chegar a).
• A consulta foi realizada no Hospital Santa Paula, aonde a paciente deve retornar (retornar a) na próxima semana.
• Discussões por motivos banais são pura perda de tempo, afinal aonde elas nós levam (levar a)?

Já na segunda frase do início deste texto (a empresa onde ou aonde Larissa trabalha?) cabe o advérbio “onde” — aplicado para lugares, espaços físicos, podendo ser substituído por “lugar em que”, “em que local”. Acompanha verbos que exprimem permanência e são, geralmente, regidos pela preposição “em”. Eis alguns exemplos:

• A fábrica de pneus é onde a inspeção será realizada primeiro.
• Onde devo aguardar você amanhã?
• Não imagino onde Vivian estava quando decidiu casar-se com aquele malandro.
• O zoológico é o local apropriado para onde encaminhar os animais apreendidos. 

ATENÇÃO: é importante ressaltar que “onde” nunca deve ser empregado em outras situações. É comum verificar seu uso como um “cola-tudo”, ou seja, de maneira totalmente inadequada. Confira algumas sentenças erradas:

• A reunião onde eu participei foi muito longa.
• Sara não percebeu onde se enganou durante a prova.
• A lapiseira é onde estão os grafites.
• O candidato fez um discurso onde prometeu várias melhorias para o bairro.

Em suma: use “onde” somente para lugares e para indicar permanência; e “aonde” com verbos de movimento, regidos pela preposição “a”.
É isso. Até a próxima.

(Texto publicado no site Megafone em 2 de julho de 2010)

Ambos ou cujo, qual dos dois pronomes é acompanhado de artigo?

A aplicação desses pronomes pode suscitar dúvidas sobre a necessidade de se empregar os artigos definidos “o”, “a”, “os”, “as”. Ou seja, “ambos” ou “cujo(s)”, depois de qual deles se usa tais artigos?

Para facilitar o entendimento, nada melhor que recorrer a exemplos, não é verdade? Então vamos lá. Das frases abaixo, uma está correta; outra, errada. Acompanhe:

• O casal, cujas profissões são engenheiro e professora, viajou de férias neste mês.
• O casal, cujas as profissões são engenheiro e professora, viajou de férias neste mês.

O primeiro caso é o correto, pois o pronome “cujo” e suas variações (cujos, cuja, cujas) não devem ser seguidos de artigo definido. Portanto, veja outros exemplos da aplicação certa:

• A revista, cujo papel utilizado foi reciclado, segue uma tendência de preservação ambiental.
• Os veículos, cujos vidros foram quebrados, estavam estacionados no centro da cidade.
• Você assistiu àquele filme, cujo diretor ganhou o Oscar, exibido ontem?

Mas existe a possibilidade do uso do artigo indefinido “um” ou “uma”. Confira:

• O teclado do computador, cuja uma das teclas se soltou, ainda pode ser utilizado.
• José, cujo um dos filhos também se chama José, é pai de quatro homens.

Já o pronome “ambos” (ou ambas) pode ou não ser seguido dos artigos definidos “os” e “as”, isto é, há casos em que o uso do artigo é necessário, porém em outros ele pode ser dispensado; isso vai depender da frase. Eis alguns exemplos:

• Ambos os irmãos foram aprovados no vestibular.
• Azul e verde, ambas as cores ficariam bem na sala da casa.

Aqui, se suprimidos os artigos (os, as), além de a sentença soar estranha, também estaria equivocada gramaticalmente.

• Bianca e Júlia, ambas gostam de pinturas surrealistas.
• O seminário foi realizado paralelamente em Foz do Iguaçu e Cascavel, ambas cidades do Oeste paranaense.

Nesses dois casos, a presença de artigo não se justifica.

Ainda em relação ao pronome “ambos” ou “ambas”, por vezes há a seguinte dúvida: é correto dizer, ou escrever, “ambos os dois” ou “ambas as duas”? Isso é possível apenas em uma situação, raríssima, por sinal. A seguinte:

• Ambos os dois daquela sequência numérica estão fora da ordem.

Trata-se do número 2, que aparece duas vezes em determinada numeração.

É isso. Até a próxima.

(Texto publicado no site Megafone em 21 de maio de 2010)

Se não ou senão?

Use “se não” corretamente, senão o erro pode prejudicá-lo. Essa frase, além de alertar sobre um possível equívoco gramatical, exemplifica as duas formas de empregar o termo.

• Quando escrito separadamente (conjunção se + advérbio não), pode ser substituído por “quando não” ou “caso não”. Veja os exemplos:

1) A empresa precisa adotar medidas mais eficientes se não quiser ter mais prejuízos financeiros.
Ou: A empresa precisa adotar medidas mais eficientes caso não queira ter mais prejuízos financeiros.

2) Se não forem respeitadas as leis, a sociedade viverá uma verdadeira balbúrdia.
Ou: Quando não respeitadas as leis, a sociedade pode viver uma verdadeira balbúrdia.

3) Haverá quatro vagas num primeiro momento, se não cinco.
Ou: Haverá quatro vagas num primeiro momento, quando não cinco.

• Ao ser grafada junto, a palavra é uma preposição ou conjunção adversativa e significa do contrário, caso contrário, de outro modo, de outra forma, porém, a não ser, com exceção de, mais do que. Mas pode ser um substantivo quando for sinônimo de falha, defeito, obstáculo.

1) O prazo de entrega das casas deve ser cumprido, senão (do contrário) os futuros moradores enfrentarão problemas.

2) A operação transcorreu tranquilamente, nenhum senão (obstáculo, falha) foi registrado.

3) Ela não é senão (mais do que) uma funcionária como nós, não tem o poder de mandar em ninguém. 

(Texto publicado no site Megafone em 11 de maio de 2010)

Militares criminosos da ditadura ficam impunes

Supremo Tribunal de (in)Justiça decide proteger estupradores, torturadores e assassinos 

O STF, maior instância da Justiça no Brasil, julgou improcedente a ação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que pedia a revisão da Lei da Anistia. Por sete votos a dois, os ministros decidiram ontem (29) manter impunes os militares bandidos do período da ditadura. Dessa forma, todos os criminosos fardados que estupraram, torturaram, mataram e ocultaram cadáveres de opositores do regime, entre outros crimes, não serão responsabilizados.

Não é à toa que o Brasil é conhecido como país da impunidade, afinal dia após dia a população é surpreendida por fatos justificadores dessa pecha. Infelizmente a decisão do Supremo corrobora isso, pois garante a “paz” aos militares que cometeram crimes durante os anos de chumbo. Ao se proteger os bandidos de farda, foi sepultada a esperança de centenas de pessoas e famílias que sofreram — e ainda sofrem — com o período de intolerância, as quais ainda acreditavam no Judiciário.

Certamente a decepção com o Supremo Tribunal de (in)Justiça é muito mais abrangente, porque causa indignação em brasileiros sensíveis aos crimes hediondos e comuns praticados por golpistas contra quem se levantou, teve a coragem de não aceitar o fim da democracia, lutou pelos direitos e para tentar pôr fim aos desmandos e arbitrariedades de escroques travestidos de militares.

Após o golpe de 1964, o Brasil viveu o pior momento de sua história. A ação movida pela OAB era uma tentativa — ainda que tardia — de ver responsabilizados protagonistas de cenas monstruosas nas ruas, delegacias de polícia e no submundo da ditadura. O STF colocou o país na contramão da justiça feita por outros países latino-americanos, como Argentina e Chile, os quais vêm condenando ao longo dos anos militares autores de barbáries contra o próprio povo.

Ao posicionar-se pela manutenção da Lei da Anistia, o ministro Eros Grau — único que sofreu na mão da ditadura — alegou ser exclusividade do Poder Legislativo revê-la. Então, se isso for mesmo procedente, resta esperar alguma atitude por parte do Congresso Nacional. Talvez algum parlamentar encampe a proposta de não manter na cova das vítimas do militarismo a possibilidade de punir criminosos do sistema, de dar alento a quem quer justiça e dar exemplo de que “a Justiça tarda, mas não falha”. Será? 
(Texto publicado no site Megafone em 2 de maio de 2010)

Acaba “reinado” de Gilmar Mendes no STF

Ministro deixa presidência hoje, após dois anos de vergonha para o Judiciário brasileiro 

A melhor forma de definir a saída de Gilmar Mendes da presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) é: já vai tarde! Esse sentimento de alívio se deve ao fim de um dos períodos mais vergonhosos na história da principal instância judiciária do país.

Entre os (des)mandos durante seu governo, dois dos piores foram a clara proteção ao banqueiro Daniel Dantas, preso na Operação Satiagraha da Polícia Federal, e o fim da obrigatoriedade do diploma para exercer a profissão de jornalista.

Sua gestão foi marcada ainda pelo estrelismo na mídia, em especial na direitista, dos grandes veículos de comunicação brasileiros que têm aconchego no ninho político tucano. E não poderia ser diferente, afinal o “rei” foi indicado ao STF pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso — que também já foi tarde e, espero, para não mais voltar.

Mendes sai do comando do Poder Judiciário, porém permanece ministro do Supremo para continuar defendendo interesses de latifundiários, banqueiros e torturadores da ditadura militar, como bem fez ao determinar a demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol, no estado de Roraima, e ao posicionar-se contra a revisão da Lei da Anistia.

Felizmente, este 23 de abril é um dia a ser comemorado para quem acredita que a mais alta corte nacional possa voltar a ser respeitada, agora sob o comando de outro presidente — o juiz Antonio Cezar Peluso.

Para saber mais sobre a era Mendes, leia o excelente texto do jornalista Leandro Fortes, da revista CartaCapital, em www.cartacapital.com.br ou em http://brasiliaeuvi.wordpress.com

(Texto publicado no site Megafone em 24 de abril de 2010)

A hipocrisia na permissão e proibição das drogas

No Brasil, álcool e fumo são permitidos; outras drogas não. Alguém justifica o porquê dessa incoerência?

Tenho 36 anos; raramente bebo, não fumo, nem uso qualquer droga proibida. O propósito deste texto é suscitar a reflexão e o debate sobre um tema bastante polêmico e que desperta em mim algumas dúvidas, a partir da seguinte indagação: por que as bebidas alcoólicas e o fumo são permitidos no país em detrimento a outras substâncias narcóticas?

Talvez eu saiba a resposta, mas considero pertinente lançar outras perguntas: quem, quando e por que se decidiu pela legalidade da indústria da bebida e do fumo no Brasil? Por que quando essas duas drogas surgiram não havia estudos acerca dos males provocados por elas? Ou quem sabe por que já seria “tarde” para proibi-las a partir do conhecimento de que não trazem absolutamente nada de bom para os consumidores, apenas problemas sociais e de saúde? Seria conveniente aos governos abrir não de uma milionária arrecadação tributária? Ou por que havia o
falacioso argumento do fechamento de milhares de postos de trabalho?

É fato que o alcoolismo afeta milhões de brasileiros, mais precisamente 12,3% das pessoas com idades entre 12 e 65 anos, de acordo com a última pesquisa da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) sobre uso de drogas no país, feita em 2005. Segundo o Ministério da Saúde, apenas no estado de São Paulo, um milhão de pessoas seriam dependentes do álcool. E mais, pesquisa do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), que funciona no Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo, revela que 11,2% da população brasileira são alcoolistas e que o primeiro contato com a bebida se dá, em média, aos 12,5 anos de idade.

Em 1998, a revista Plantão Médico veiculou uma matéria informando que o álcool era a droga preferida de 68,7% dos brasileiros e que 90% das internações em hospitais psiquiátricos por dependência de drogas aconteciam devido ao seu consumo. A publicação destacava ainda o alcoolismo como a terceira doença mais letal no mundo e como a causa de 350 doenças físicas e psiquiátricas. Citava também que 45% dos jovens entre 13 e 19 anos envolvidos em acidentes de trânsito haviam ingerido bebida alcoólica, segundo pesquisa realizada em cinco capitais brasileiras.

Tabagismo No Brasil, uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, por meio do Instituto Nacional de Câncer (Inca), indica que 18,8% da população fumam (22,7% dos homens e 16% das mulheres). O estudo aponta também que cerca de 80% a 90% começaram a fumar antes de 18 anos. E ainda: “O tabaco, em todas as suas formas, aumenta o risco de mortes prematuras e limitações físicas por doença coronariana, hipertensão arterial, acidente vascular encefálico, bronquite, enfisema e câncer. Entre os tipos de câncer relacionados ao uso do tabaco incluem-se os de pulmão, boca, laringe, faringe, esôfago, estômago, fígado, pâncreas, bexiga, rim e colo de útero”.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que o número de fumantes passará de 1,2 bilhão para 1,6 bilhão entre o ano 2000 e 2030 e que o total de mortes anuais ocasionadas pelo tabagismo aumentará de 4,9 milhões para dez milhões no mesmo período.
Alguns outros dados importantes: a fumaça do cigarro reúne, aproximadamente, 4,7 mil substâncias tóxicas diferentes; o tabagismo está ligado a 50 tipos de doenças; no Brasil, 23 pessoas morrem por hora em virtude de doenças ligadas ao tabagismo.

Incoerência Diantes dessas observações, fica clara minha posição contra a bebida, o cigarro e qualquer outra droga. Talvez alguns leitores concordem comigo, outros certamente não, porém não se pode conviver com tamanha hipocrisia num país que gasta milhões por ano para tratar pessoas dependentes e doentes em decorrência do vício nas substâncias lícitas, mas mortais. Se uma droga é proibida, todas as outras também deveriam ser, e vice-versa, independentemente da moderação no seu consumo.

Quem sabe este texto alcance sua finalidade de trazer a público outras visões, as quais serão bem recebidas pelo Megafone, um espaço democrático e apolítico, aberto para a sociedade manifestar-se — principalmente acerca de temas relevantes à coletividade. 

(Texto publicado no site Megafone em 21 de abril de 2010)

Correr atrás do prejuízo ou do lucro?

É muito comum em narrações esportivas o locutor dizer que a equipe em desvantagem no placar tem de “correr atrás do prejuízo”, mas eu pergunto: pra quê? Pra ter mais prejuízo?

Saiba, caro leitor, que “correr atrás do prejuízo” é mais uma das expressões equivocadas que se espalham como se fossem corretas. Na verdade, como no exemplo, se uma equipe está perdendo um jogo, ela precisa buscar algo positivo, lucrativo, que no caso seria um empate ou mesmo uma virada no marcador. Então, o narrador poderia dizer que tal time tem de “correr para reverter o prejuízo”. Se correr atrás dele, só aumentará essa situação negativa.

Buscar algo, correr atrás de, implica ter para si; e quem visa a acumular alguma coisa negativa, desvantajosa? Por isso, a partir de agora, que ninguém, principalmente as equipes esportivas, corra atrás do prejuízo, somente do lucro!

É isso. Até a próxima.

(Texto publicado no site Megafone em 12 de abril de 2010)

Apresentador de tevê ameaça estudante no ar

Ira foi motivada por crítica a programa policial exibido num canal a cabo em Ponta Grossa 

Já repercutem em todo o Brasil, e até no exterior, graças à internet, as ameças e as injúrias pronunciadas pelo apresentador da TV Vila Velha (cabo) José Carlos Stachowiak contra o estudante Lucas Nobuo Waricoda, do curso de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). O universitário foi vítima da ira de Zeca, como o profissional é conhecido, por ter criticado o seu programa policial no blog Crítica de Ponta, criado pelos alunos do curso.

Numa demonstração de desequilíbrio emocional — atitude típica de quem não aceita críticas —, Zeca ameaça a integridade física de Lucas e profere palavras de baixo calão contra ele e até mesmo seus pais. Termos como “filho de uma égua”, “tua mãe fica comendo capim por aí”, “seu vagabundo” foram ao ar ao vivo no último dia 6; assim como a seguinte ameça: “O que vou falar e vou fazer pra você você ainda não viu. Vá e dê queixa contra minha pessoa, porque se eu te pegar você tá fudido”.

A atitude revela a personalidade e o caráter de um indivíduo despreparado para ocupar uma bancada de televisão, mesmo que o programa seja policial. Talvez o tal Zeca esteja acostumado a “falar grosso” sobre e com os criminosos — já presos — exibidos no RP2, veiculado de segunda a sábado. No entanto, seus comentários a respeito da crítica ao programa, e não à sua pessoa, são ofensivos não apenas ao estudante, e sim a toda a sociedade, à imprensa e ao curso de Jornalismo. Isso porque atingem todos que não gostam do conteúdo levado ao ar e têm o direito de pensar e manifestar livremente sua opinião, como garante a Constituição brasileira.

A atuação de pessoas como Zeca na mídia eleva o grau de preocupação dos jornalistas éticos, comprometidos com o jornalismo sério, pois é sabido que a profissão foi desregulamentada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Esse desserviço do Poder Judiciário coloca a sociedade à merce de “profissionais” que maculam a imagem de toda uma categoria, afinal o público pode generalizar a visão incorreta acerca do que é ou não jornalismo e de quem é jornalista diplomado e segue os preceitos e o papel social da profissão.

Acesse o blog Crítica de Ponta: http://criticadeponta.blogspot.com/2010/03/um-modelo-nao-ser-seguido.html

Assista ao vídeo com as ameaças e injúrias: http://www.youtube.com/watch?v=vW8SCq_F2lc&playnext_from=TL&videos=sBcuIble7uo&feature=rec-LGOUT-exp_fresh%2Bdiv-1r-5-HM  

(Texto publicado no site Megafone em 7 de abril de 2010)

Ratos de eleição estão à solta

Colecionadores de cargos abandonam o “barco” para iniciar outra campanha 

Agora é oficial, com a renúncia de prefeitos e governadores e a desincompatibilização de secretários das três esferas de poder e de ministros de Estado, cujo prazo se encerra neste sábado, dia 3 de abril, os candidatos que veem a política como profissão estão livres para iniciar mais uma campanha em busca do voto do eleitor Brasil afora.

Como ocorre em cada ano eleitoral, os caçadores de cargos políticos, viciados pelo poder, ratos de eleição, mostram seu desrespeito para com a sociedade abandonando a função ocupada, para a qual foram eleitos. Planos de governo são deixados de lado; promessas de campanha, ignoradas; a confiança do eleitor, traída.

Agora, eles iniciam novamente o processo de convencimento da população sob o argumento de que são as melhores pessoas para ocupar os cargos almejados, que seus planos, suas ideias, suas experiências podem levar à melhoria da sociedade. Em breve, as ruas, as rádios e as televisões estarão tomadas pela velha lengalenga típica de período eleitoral.

Antes de definir seu voto, seria pertinente o cidadão questionar por que votar em alguém que não cumpre seu mandato todo, ou seja, pede o apoio, a confiança do eleitor, e na próxima oportunidade deixará tudo para trás, como se dissesse: “Esqueçam o que planejei, os compromissos assumidos, a esperança depositada em mim. Isso tudo é passado, o que interessa agora são minhas ‘novas’ promessas, meus ‘novos’ argumentos para outra corrida às urnas”.

Vale muito a pena pensar nisso, não se deixar levar pela ânsia de poder de quem não “larga o osso”, não vê na política uma representação transitória. É preciso dizer não nas urnas aos políticos que fazem de seus cargos trampolim político, que não respeitam a população e, na realidade, são viciados pelo poder.

Exemplos não faltam, principalmente no Poder Executivo. Dois casos bem claros disso: o ex-prefeito peessedebista de Curitiba, que renunciou ao seu mandato pela metade; e o também tucano ex-governador de São Paulo, o mesmo que já tinha abandonado o cargo de prefeito da capital daquele estado, ambos pela metade, demonstrando sua incapacidade de cumprir o mandato até o fim, de concluir um “plano de governo”.

Ambos os casos demonstram uma clara gana pelo poder, revelam que fazem tudo e passam por cima de qualquer “obstáculo” para vencer uma eleição, ser eleitos chefes do Executivo. E o pior: sob a alegação de que seus nomes foram definidos pelos partidos, como se eles não tivessem vontade própria, dignidade e consciência para honrar o cargo ocupado.

Há também aqueles políticos “de carreira”, os quais usam o direito constitucional da reeleição para se perpetuar no poder. As Assembleias Legislativas, Câmara dos Deputados e Senado Federal têm parlamentares com anos e mais anos de mandato. Não obstante, frequentemente vêm a público escândalos, denúncias e crimes ligados aos ocupantes do Legislativo e Executivo — razões da falta de credibilidade das casas e palácios-sede desses poderes.

Diante disso tudo, é fundamental o eleitor se perguntar se o mais correto não seria tirar do poder as velhas raposas, renovar, acreditar na nova geração sem vícios e com uma visão e forma diferentes de fazer política e representar a coletividade. 

(Texto publicado no site Megafone em 3 de abril de 2010)